quarta-feira, 15 de julho de 2009

Quadrilha moderna" (Ah! Se Drummond estivesse vivo...)


João amava Rodrigo,que amava Leonardo, que amava José, que

amava Mané, que pegava todos e não amava ninguém. João foi para Goiânia, Rodrigo, para o seminário, Leonardo ninguém mais soube, José virou trava e Mané se casou com Eduardo, que não tinha nada a ver com a história.

Paula Dyonisio


(Isso é uma obra de ficção. Qualquer coincidência com pessoas ou fatos é mera coincidência.)

domingo, 3 de fevereiro de 2008

O tempo dos espinhos

Terminei hoje (27/01) a leitura do Pequeno Príncípe e fiquei surpreso. Mesmo sendo uma história conhecida e cheia de beleza, a cada leitura, a obra de Saint-Exupéry se mostra mais rica, principalmente pelo diálogo construído com o leitor. - É muito verdadeiro e dá força à carga subjetiva da história.


Pensar esse livro a partir da vida do autor, não deixa de ser um exercício interessante. Escrito em plena Segunda Guerra Mundial (1939-1945), completamente envolvido na questão [o cara era piloto combatente], faz do livro um ponto de referência para a compreensão da própria Guerra, do ponto de vista de uma pessoa interessante e inteligente. Nos faz entender quando defende, sem moralismos, a extração das plantas ruins [baobás], "mal a tenhamos conhecido", revelando todo sentido em um mundo que corria sério risco com o crescimento das raízes do nazi-fascismo.

Abraço e até a próxima....

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

de volta...

Hoje assisti Dancer in the dark (Dançando no Escuro) de Lars Von Trier e decidi a voltar a escrever em meu blog.
Há muito tempo não chorava e chorei como uma criança nos braços de minha mulher.
Esse filme me remeteu a muitas questões, ou melhor me atirou a elas, às questões mais profundas que envolvem nosso sistema político, ecônomico e social. Mas também pensei em minha mãe, pai e irmãos, alguns amigos e tantas outras pessoas, e em tudo que lhes foi negado, pessoas sem acesso à saúde, educação, cultura, ou seja, à maioria das pessoas desse mundo.
E eu com isso? O que posso eu fazer além de continuar a viver minha pequena vidinha? - a qual não ouso chamar de pobre e infeliz. Desisitir? Valeria a pena continuar em um mundo tão mesquinho e feio? Ou ter um filho? Produzir a resistência?
Suicídio nunca foi a minha. Paternidade é um projeto distante, ao menos irrealizável nesse momento, por inúmeros aspectos.
No final do filme há o seguinte poema (tentei traduzir, me desculpem as eventuais imprecisões) que talvez resuma o filme e o que ele mais me tocou:

"They say it's the last song
They don't know us, you see
It's only the last song
If we let it be"

"Eles dizem que é a última canção
Mas eles não nos conhecem, você vê
Só é a última canção
Se nós deixarmos que seja"

Por hora, produzo desabafos, amanhã um livro para quem goste de ler, quem sabe...
Boa noite!

sábado, 11 de agosto de 2007

Noite na cidade

Os passos marcados na calçada, contra e junto ao barulho do vento, quebravam o silêncio da fria noite do mês de maio. Conforme passava pelos prédios, acizentados, azulados escuros, o pensamento divagava, longe, apreensivo, quase perdido.
Todos os estabelecimentos estavam fechados, os bares e pequenos hotéis aparentavam nunca terem logrado existência, até mesmo as prostitutas e travestis tão comuns e integrados à paisagem se faziam ausentes. Olhando para cima notava detalhes da arquitetura que durante o dia não perceberia, construções dos anos 20, 30 escondidas por letras garrafais de fachadas de lojas, anúncios, propagandas de políticos e shows entre umas e outras pixações. Prédios e beirais de telhados com inspirações dos estilo art noveau e gótico, e também caixas bauhausianas, se misturavam com uma estátua suja de um pobre soldado constitucionalista, além de três gárgulas observando do alto de uma loja maçônica. Das vitrines das lojas manequins femininos com roupas de festa de aluguel observavam o passante. Olhava em diante e em perspectiva muito ao longe quase via o final da rua. Uns poucos metros à frente um facho de uma luz amarelada e frágil indicava uma loja que ainda funcionava.
Ao se aproximar observa algo que se parecia com um antiquário, fica curioso e pensa se deve entrar...
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pra começar...

um dos primeiros poemas que li em minha recém saída infância

Sugar e ser sugado pelo amor
no mesmo instante boca milvalente
o corpo dois em um o gozo pleno
que não pertence a mim nem te pertence
um gozo de fusão difusa transfusão
o lamber o chupar e ser chupado
no mesmo espasmo
é tudo boca boca boca boca
sessenta e nove vezes boquilíngua.

Carlos Drummond de Andrade