Hoje assisti
Dancer in the dark (Dançando no Escuro) de Lars Von Trier e decidi a voltar a escrever em meu blog.
Há muito tempo não chorava e chorei como uma criança nos braços de minha mulher.
Esse filme me remeteu a muitas questões, ou melhor me atirou a elas, às questões mais profundas que envolvem nosso sistema político, ecônomico e social. Mas também pensei em minha mãe, pai e irmãos, alguns amigos e tantas outras pessoas, e em tudo que lhes foi negado, pessoas sem acesso à saúde, educação, cultura, ou seja, à maioria das pessoas desse mundo.
E eu com isso? O que posso eu fazer além de continuar a viver minha pequena vidinha? - a qual não ouso chamar de pobre e infeliz. Desisitir? Valeria a pena continuar em um mundo tão mesquinho e feio? Ou ter um filho? Produzir a resistência?
Suicídio nunca foi a minha. Paternidade é um projeto distante, ao menos irrealizável nesse momento, por inúmeros aspectos.

No final do filme há o seguinte poema (tentei traduzir, me desculpem as eventuais imprecisões) que talvez resuma o filme e o que ele mais me tocou:
"They say it's the last song
They don't know us, you see
It's only the last song
If we let it be"
"Eles dizem que é a última canção
Mas eles não nos conhecem, você vê
Só é a última canção
Se nós deixarmos que seja"
Por hora, produzo desabafos, amanhã um livro para quem goste de ler, quem sabe...